26 de nov. de 2017

FAZENDO UM BALANÇO

Hoje faz um ano que estou longe dos meus. Um ano que abri mão de uma vida inteira, exercício literal do desapego, começar do zero!

Levamos 30 anos para construir e alguns meses para desconstruir. No momento que surgiu a oportunidade de explorarmos novos horizontes, a decisão não foi muito difícil pelo quadro existente no Brasil nos últimos anos, seria tudo ou nada. Pesamos os prós e os contras, de um lado a separação da família e amigos e do outro a possibilidade de uma vida mais tranquila, mais justa e digna.

Viver em Portugal nada tem do glamour que todos pensam ser viver na Europa, é um país bonito, temos mais segurança, saúde pública de melhor qualidade (comparado ao Brasil, tá?), custo de vida baixo, preconceito e falta de emprego.
 
Ser brasileiro fora do Brasil é um risco, pois nossa fama não é lá das melhores, também pudera né? Outro fator que pega é a idade, por mais qualificado e invejável que seja seu currículo... Dane-se, você é velho! Ok, a possibilidade de não se conseguir um excelente emprego foi cogitada na hora da decisão e viemos cientes de que talvez tivéssemos que nos submeter a empregos bem inferiores, afinal que mal teria se o custo de vida é baixo, vâmbora!

Só não digo estar arrependida, pois no Brasil a situação também não estaria melhor, aí vem àquela velha história de... Nunca se arrependa das decisões que tomou! Ledo engano, o sapato aperta, o coração bate descompassado, a saúde lembra que não somos mais tão jovens afinal somos de carne, osso e sentimento. Como éramos muito mais felizes na juventude!

Escolha difícil e confesso, muito dura de ser suportada. Não sou tão forte como um dia pensei ser, filhos criados para o mundo... Pelo mundo! Eu e meu parceiro de uma vida inteira vivendo o desconhecido e descobrindo a cada amanhecer nossos próprios limites.

Portugal valeu pelos lugares que tivemos oportunidade de conhecer, pela busca das raízes da Família Lopes e por uma nova e grande amiga que Deus colocou em nosso caminho. O resto? Espero um dia poder olhar para trás e pensar... Foi melhor assim!

Saudade da história que há um ano eu desapeguei!



6 de mar. de 2017

SER MÃE!

Tenho refletido muito sobre minha vida nos últimos meses e entre minhas reflexões estão meus filhos.

Desde menina meu desejo maior era ter filhos, sonho enorme e Deus permitiu que eu trouxesse ao mundo meus meninos. Temperamentos diferentes, ele foi o filho tão sonhado, o primeiro seria homem, levado, inteligente, companheiro e destas previsões, levado ele não foi kkkkk!

Em seguida, seguidinha, o segundo sonho... A Dá, minha princesinha! <3 Nosso vínculo é algo que ultrapassa o entendimento de qualquer ser que vive nesta dimensão, mas percorremos um difícil caminho de afeto e compreensão para sermos o que somos hoje. Fui escolhida pelos dois, por merecimento, resgate, talvez dívidas de vidas passadas, quem sabe?

A decisão mais acertada da minha vida, mesmo depois de criados e levando suas vidas, respiro meus filhos 24 horas por dia, sinto saudade, aperto no peito já é sinal de que algo está errado, é batata! Mexe com minha cria para conhecer o tamanho da minha ira!

O aplicativo chamado “sexto sentido materno” não falha, quem dera eles nos ouvissem um pouquinho mais, não é mesmo? Mas com seus acertos e erros, um dia passarão por esta experiência mágica também.

Amor que chega a doer de tão grande, insubstituível, imensurável, inimaginável, eterno!
Morro de saudades!

30 de jan. de 2017

Coragem e Esperança



Depois de ler alguns depoimentos, resolvi compartilhar também nossa história.

Sobre nossa decisão de sair do Brasil!  Começou com o início de nossa vida em comum na Lapa, em São Paulo. Foi assim, em 1986 decidimos num ímpeto, juntar nossos travesseiros e não houve o que habitualmente os casais faziam... Noivado, chá de panela, casamento, planejamento... Simplesmente vamos morar juntos e ponto final.


Começamos com alguns pratos e talheres emprestados e um apartamento alugado mobiliado; ele músico na noite paulistana e eu bancária. Aos poucos, fomos equipando nossa casa, adquirindo nosso carro e etc. Mas após 3 meses juntos, também sem planejamento, engravidei! Como éramos inexperientes e loucos!
Depois do nascimento do nosso primeiro filho, meu marido resolveu abandonar a música e se dedicar a carreira que havia estudado na adolescência no SENAI... Projetista!
Com isso prestou vestibular e foi estudar Engenharia. Ele pensava: “Vou estudar, me aperfeiçoar para dar ao meu filho e à minha família um futuro digno e uma vida tranquila”.

E não me estendendo nessa parte de nossa história, o resumo é que estudou, formou-se Engenheiro Mecânico e Civil, pós graduado e com mestrado no IPT, título buscado por muitos profissionais.

Tívemos mais uma filha, os dois hoje são nosso orgulho! Quando foi em 2002, meu marido já tinha um cargo pomposo, Diretor numa multinacional e eu ppude parar de trabalhar fora para me dedicar inteiramente aos cuidados com nossos filhos. Enfim, conseguimos comprar nosso terreno para a construção da casa dos sonhos. Nesta época resolvemos que abrir o próprio negócio seria mais vantajoso, levando em conta que queríamos uma vida mais tranquila e usar à nosso favor aquilo que enchia o bolso do patrão dele, seu grande “Know How”!

Foi aí que nossos sonhos desmoronaram, em 2003 um governo corrupto e pseudo favorável aos mais necessitados tomou o poder em nosso país. O negócio recém aberto ia de mal à pior, apenas as grandes construtoras tinham oportunidades num Brasil onde os poderosos reinam. O tal “Know How” de nada servia!

Aos poucos fomos perdendo o  pouco que havíamos conquistado, principalmente nosso imóvel e de volta ao mercado de trabalho, meu marido não conseguia uma colocação pois era muito qualificado, sim... MUITO QUALIFICADO!
No fim foi obrigado a aceitar um cargo com um salário bem abaixo de sua qualificação e eu continuei de casa tocando pequenos projetos de nossa empresa o que ajudava em nossa sobrevivência.

Nossos filhos chegaram na fase universitária, fizemos das tripas coração para que concluíssem seus cursos, ele Arquitetura e ela Veterinária. Ambos se formaram em 2014, meu filho nunca conseguiu depois de formado trabalhar em arquitetura, apenas estágios até se formar. Minha filha conseguiu uma vaga como Médica Veterinária, onde ganhava por mês menos do que pagamos a mensalidade de seu curso. Simplesmente “VERGONHOSO” enquanto Lulas e Eikes sem um curso superior ficam milionários às custas de brasileiros que ralam dia e noite por um  pedaço de pão!

O Luciano e a Monica (depoimento no vivendoportugalcontos.wordpress.com e onde também consta esta minha história)  foram felizes em seu depoimento, o que falta no Brasil é comprometimento!

Minha filha em 2015 cansou, juntou suas coisas e foi para Londres tentar ser feliz. Eu e meu marido desde 2003 quando as coisas começaram a ficar ruins tínhamos vontade de sair fora, eu tenho cidadania européia e a vontade de ir para a Grécia, terra da minha família, era muito grande. Mas aí a Grécia tinha entrado numa crise brava e nossa vontade ia ficando quietinha lá no seu canto.

Meu filho não conseguia emprego em arquitetura e dava aulas de inglês numa conhecida escola de idiomas, sua noiva também arquiteta, foi dispensada em 2016 e decidiram sair do país... Casaram e se mandaram para Dublin.

Ficamos nós dois, até que em agosto/2016 , meu marido entrou para o grupo dos 13 milhões de desempregados do Brasil, daquele emprego que havia conseguido lá atrás ganhando bem menos. E agora? Nada mais nos prendia no Brasil, nossos filhos tinham ido embora e nossos bens se resumiam apenas a mobília e dois carros. Nunca pensamos em Portugal, sempre pensamos em ir para perto de um de nossos dois filhos, mas aí meu marido se inscreveu para Doutorado na Universidade do Minho e mais do que depressa foi aprovado.

Foi demitido em agosto e em outubro estávamos partindo para Portugal. Foi Vapt-Vupt, como dizemos no Brasil, sem tempo para pensar ou pesar os prós e os contras. Naquele momento, qualquer coisa era melhor que o Brasil. Mas apesar de não termos mais nossos filhos, tínhamos nossos pets, 4 cães, 2 gatas e 1 jaboti e em momento nenhum cogitamos a idéia de deixá-los para trás! O jaboti decidimos deixar por causa do clima, é um animal de clima tropical e sofreria horrores com o frio europeu, então ele foi adotado por um amigo e hoje vive feliz. Mas os cães e gatas vieram comigo, todos no mesmo vôo, sim senhor e este episódio é digno de um depoimento apenas para ele!


Como tudo aconteceu no atropelo, meu marido veio em outubro e eu por causa da burocracia com os pets precisei aguardar até novembro e neste período enquanto ele aqui buscava moradia para nós em Portugal, eu no Brasil fiz um “Família Vende Tudo”, vendi cada parafuso, eletrodoméstico, móvel, roupas, carros, que é o que tem nos mantido em Portugal. Lembram que começamos em 1986 com pratos emprestados? Estamos cá em Portugal, ambos com mais de 50 anos, tomados de uma coragem inexplicável, começando de novo. Não tão do zero como em 86, porque fizemos um dinheirinho com o pouco que nos restou no Brasil, meu marido ainda não conseguiu uma colocação no mercado português, mas as chances são promissoras e nossos corações estão cheios de esperança  e certos de que fizemos a melhor escolha, hoje dormimos em paz.




Nossos filhos estão bem cada qual com sua luta, mas com muito mais perspectivas do que no Brasil, país que não oferece oportunidades e não respeita seu cidadão.



Aqui vivemos com menos, mas com muito mais qualidade de vida!

3 de jan. de 2016

Mais um ano!


Até aqui foram 52 anos muito bem vividos! Ousei, arrisquei, caí, me levantei, namorei muuuiiiitoooo, pari, eduquei, errei de novo, acertei, fiz amigos inesquecíveis e duradouros, também teve aqueles que decepcionaram, machucaram, feridas cicatrizaram e ainda tentam cicatrizar, novos amigos, família, trabalho, dedicação, amor e muita, muita persistência. Construí uma história e tenho orgulho dela, eu sou "Foda"!


Ainda tenho muito o que fazer e se Deus permitir, será especial, que venham os 53!

26 de set. de 2015

Um pouco mais de amor, por favor!

Nos últimos dias vivenciei um nova experiência, sempre procurei ajudar o próximo de alguma maneira, fiz várias doações em minha vida sem querer nada em troca. Mas desta vez foi diferente!

Iniciei uma campanha de doações aos refugiados sírios que estão chegando ao Brasil sem lenço e sem documento; vítimas de uma guerra civil impiedosa. Foi um trabalho de aproximadamente 10 dias, árduo, com uma repercussão e resultado surpreendentes.

Ouvi de tudo, críticas, cometários esdrúxulos e maldosos, mas ainda assim os anjos conspiraram à favor! Muitos ajudaram, desde roupas, calçados, mantimentos, produtos de higiene, cestas básicas, colchão, tv e eletrodomésticos.

Ainda existe amor no coração das pessoas apesar de tudo! Isto fez bem para alma, para o coração, conhecer a família da Marah, que recebeu as doações para serem distribuídas entre 30 famílias foi indescritível!

Quero aqui agradecer as pessoas que ficaram ao meu lado do início até a entrega e que ainda estão dispostos de comigo dar continuidade a este trabalho: Meu marido Ricardo, minha filha Daphny, minhas amigas Carol e Renata.

E que Deus olhe pelo nosso planeta que aos poucos está sendo destruído pela ganância e prepotência do ser humano!


12 de jun. de 2015

Meu eterno Namorado

Hoje no mundo capitalista se comemora o Dia dos Namorados, para aquecer o mercado, deixar os casais mais próximos e apaixonados.

Pois aqui entre nós dois, todo dia comemoramos nosso dia, nossa vida, nosso amor! O exercício diário de cumplicidade que nos aproxima e só fortifica esse amor que lá atrás não tinha a aprovação da família e amigos.

O velho ditado de que "Contar as pingas e não contabilizar os tombos é fácil" nos cabe direitinho, né?

Somos seres humanos, com altos e baixos, mas eles só serviram até hoje para solidificar ainda mais nosso amor, as pingas tomamos em festa e os tombos fizeram feridas que com o tempo tentamos curar, uma após a outra com respeito, carinho, dedicação, tolerância, amizade e companheirismo.

Obrigada por fazer parte da minha vida, meu Eterno Namorado!

Te amo, ontem, hoje e sempre!


27 de abr. de 2015

Doce amiga

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Esta semana perdi uma pessoa muito querida, mãe e esposa dedicada, amiga carinhosa. Esmeralda, Alda, Aldinha, Aldi, abriu mão de si mesma para cuidar da família, sua saúde estava frágil e seu corpo não suportou!



Obrigada querida pelo carinho e pelas longas conversas, pela companhia animada em Athenas, pelas histórias, pela lição que você deixou.
Vai em paz e quem sabe um dia ainda possamos nos reencontrar num lugar muito melhor, fico aqui com a saudade e o lamento de que talvez pudesse ter sido tudo muito diferente, mas Deus sabe o que faz não é mesmo?


           



Podemos viver muitas vidas, mas nada nelas acontece por acaso, se aqui nos encontramos foi por uma razão, um sentimento, um laço e assim vamos tocando o barco da vida e deixando que a maré nos leve para novas experiências!

31 de dez. de 2014

Ano Novo

Nesta época me pego pensando sobre minha vida, juntamente com as comemorações de Natal e Ano Novo também tem meu aniversário e isso é foda!

Uma vez ouvi dizer que a vida começa aos 40, esta pessoa estava equivocada ou eu é que estou lesada. Posso dizer com todas as letras e convicção que até meus quarenta anos eu fui muiiiiiiito feliz, completa e realizada!
Uma guinada ao avesso teve início exatamente quando completei os malditos 40 anos, já se passaram 11! Tenho saúde é verdade, disso não posso e nem devo reclamar, mas não é só de saúde que se vive, não é mesmo?

Vamos ver se agora que passou a primeira década após os 40 a coisa muda de figura, dá uma folga, um respiro e um pouco mais de paz, realizações e alegrias.

Então 2015 vê se capricha, porque uma hora a porca espana e aí não sei se aguento!

Feliz Ano Novo!

4 de abr. de 2014

Filhos



Como definí-los? Como entendê-los? Como educá-los? Como acertar no que é mais passível de erros? Poxa, não vem com manual?! 

Tenho poucas lembranças da minha infância, meus pais sempre foram rígidos e exigentes, a mãe ao mesmo tempo em que dava um puxão de orelha não media esforços para dar seu amor e carinho. Não conseguimos avaliar o  significado deste amor maluco até que tenhamos os nossos filhos. E com eles a história se repete por gerações e mais gerações.


A descoberta da gravidez, sempre sonhei ser mãe não enxergava minha existência sem eles, era um desejo incompreensível até ouvir o primeiro choro, sentir o cheiro, olhar os dedinhos das mãos e dos pés, os traços, com quem se parecem? As primeiras palavras, os dentinhos, as vacinas, os tombos, o primeiro dia na escola (me acabei de chorar), as brincadeiras com o Papu, as descobertas cada uma no seu tempo, o primeiro(a) namorado(a), as músicas preferidas, seus ídolos, seus sonhos!


Ah, a gente sonha tanta coisa para eles! Esquecemos que estes sonhos não nos pertencem, criamos para o mundo e para suas próprias escolhas... E isso dói!

O cordão umbilical não é cortado no parto, ele vai aos poucos se desfazendo até que um dia está completamente separado de nós, mães! 

Deveria ter sido mais severa do que mãe amiga... A mãe severa é respeitada, lembro que por mais insatisfeita que eu estivesse com as ordens da minha mãe, eu aceitava sem me atrever a desrespeitar. Esta geração é tão diferente, onde foi que erramos, sendo que só queríamos acertar?

E mesmo com os tombos e porradas que levamos continuamos a amá-los incondicionalmente, que amor engraçado, estúpido, exagerado e porque não dizer Hercúleo! Estes dias minha sobrinha que tornou-se mãe a menos de dois anos definiu muito bem: Um amor muito maior que qualquer outro, nós os amamos muito mais do que eles a nós!

Eu amo vocês além do inimaginável, me transformo em leoa voraz, onça feroz se algo de mal acontecer com vocês... Mas também sou gatinha manhosa que precisa de amor e carinho!





30 de mar. de 2014

Pai e Filho

Um velho senhor italiano que vivia sozinho em Nova Jersey, desejava muito plantar o seu jardim de tomates como todos os anos fazia, mas não tinha condições físicas para a tarefa; principalmente porque o solo estava muito seco e duro.

Seu único filho, Vicent, que costumava ajudá-lo estava na prisão. O velho enviou-lhe uma carta descrevendo a situação:

Querido Vicent,

Hoje estou me sentindo realmente muito triste. Acho que não vou poder plantar os tomates este ano. Estou velho e fraco demais para preparar a horta, eu sei que se você estivesse aqui escavaria o terreno para mim; como nos velhos tempos.
Abraços Papa


Poucos dias depois ele recebeu uma carta do filho:

Papa,

Não cave o jardim de jeito nenhum... Lá estão enterrados os corpos!
Vinnie

Às 4 da manhã do dia seguinte agentes do FBI e da polícia local chegaram e cavaram o espaço inteiro sem encontrar nenhum sinal de cadáveres. Pediram desculpas e foram embora. Nesse mesmo dia o velho italiano recebeu outra carta de seu filho.

Querido Papa,

Vá em frente e plante os tomates. Isso foi o melhor que pude fazer, devido às minhas atuais circunstâncias.

Te adoro

Vinnie



27 de mar. de 2014

Estrada Interrompida

Quando somos crianças criamos laços que são plantados por nossos pais, pessoas próximas a eles, parentes, amigos e é disso que eu gostaria de falar hoje.


Tive em minha vida um laço muito forte que da mesma maneira que foi forte, um dia virou pó, virou decepção, dor, virou nada!


Sabemos que a inveja e o ciúme são armas fortíssimas para destruir qualquer relação, mas que se a recíproca não for verdadeira o lado mais fraco cede e põe tudo a perder e hoje alguns anos depois de tudo que aconteceu tenho certeza que o lado forte era eu.

Amiga para valer, mesmo que nossos pontos de vista fossem diferentes eram respeitados, confidências ao pé do ouvido, desabafos, segredos que ninguém nunca soube ou ouviu de meus lábios... Sei que para tudo que fazemos não devemos querer nada em troca, mas tivemos uma história onde me prometeu algo e essa promessa me veio como um alívio pois era algo que eu não desejava fazer só, precisava deste apoio.

Um dia por telefone depois de um mal entendido com pessoas próximas foi posta à prova tão duradoura amizade, aquela que a tantos anos resistia a tudo e no dia seguinte covardemente por e.mail colocou-se um fim num vínculo que parecia intocável.

Sofri muito, tentei em algum momento perdoar e reaver a perda, mas não tinha mais jeito. Até hoje tento encontrar os motivos e não encontro, talvez quando nos encontrarmos no outro plano eu finalmente entenda o que aconteceu.

Nos próximos dias realizarei a tarefa que você prometeu estar comigo, vai doer muito mas não tanto quanto a decepção que senti sem sua amizade para continuar na estrada da vida.


Minha consciência está tranquila e sei que do meu lado tudo foi feito com amor, carinho, respeito e uma imensa fidelidade, já suas atitudes mostraram o contrário! 

O ser humano é assim, por isso amo meus bichos!

31 de dez. de 2013

Agradecimento


da minha irmã e muito comovida tive que revê-lo algumas vezes até poder comentar sem me emocionar. Os 50 anos não nos trazem apenas lembranças, nos últimos meses tenho recapitulado tudo o que vivi até hoje e avaliado o que realmente valeu a pena e o que faltou realizar...
Por exemplo essa minha luta de sempre tentar unir a que você se refere me trouxe alegrias e também sofrimento; alegria por conseguir trazer para junto de mim pessoas que amo demais e sofrimento por perceber que nunca tive a sorte de conseguir ser compreendida por alguns!
A luta e o desejo de estar com pessoas que quero bem é pura e simplesmente a vontade de aproveitar cada segundo que a vida nos dá de presente e que talvez no dia seguinte a oportunidade não exista mais e aí será tarde demais para lamentar, mas exagerei!
Deveria ter olhado mais para mim mesma, sempre pensando nos outros esqueci um pouco de mim,  hoje percebo que este tempo perdi eu deveria  ter coragem de ligar o foda-se muito mais vezes na vida. Arrependimento? Não... Mas antes tarde do que nunca decidi olhar um pouco mais para mim mesma e esta decisão devo um pouco à você minha irmã que nos momentos em que eu chorava o leite derramado você me escutava e aconselhava, conselhos de alguém que teve uma vida completamente diferente da minha, você dizia: - Não tenho filhos, marido, talvez esteja viajando mas pense melhor nisso ou naquilo! Ou nos momentos em que você se sentia sozinha: - Preciso aprender a fazer como você, manter mais contato com as pessoas, ser mais presente! Até isso me fazia refletir...
Precisamos também ser um pouco egoístas na vida para conseguirmos olhar para nosso interior e tomarmos nossas decisões, demorou meio século para eu perceber isso mas tenho mais meio século para colocar em prática esta lição kkkkkkk!
Amo você minha irmã, o bem mais precioso que Deus nos dá é a família que mesmo com suas diferenças enche meu coração e me impulsiona para continuar a luta só que dessa vez olhando um pouco mais para meu interior, obrigada por seu carinho e sua amizade!

23 de out. de 2013

Doce lembrança

É engraçado como algumas pessoas passam indiferentes por nossas vidas, enquanto que outras ficam guardadas num canto muito especial do coração.

Tive uma juventude feliz apesar da severidade com que meus pais me tratavam, amigos de rua coisa raríssima hoje em dia pois não se tem mais tempo e nem segurança para ali ficar jogando conversa fora, as meninas na bicicleta e os meninos no skate, beijo-abraço-aperto de mão, war, bola, esconde-esconde.
Existiam duas turmas: Barão e Dragão, hoje seriam gangs rsrsrs!

Tinha bullying e sobrevivemos sem nenhum trauma, escolas públicas reprovavam, transar era apenas trocar alguns beijinhos, o primeiro beijo... Ah, quanta coisa boa vivemos! Tenho muita admiração, carinho e amor por estas amizades que perduram até hoje... A vida de cada um tomou rumos diferentes mas não impediu que continuássemos o que lá atrás já era bonito demais.

Mas abri este post hoje em especial para uma pessoa que não está mais entre nós a 30 anos, no auge de seus 22 anos nos deixou de uma forma estúpida e inexplicável. Era meu Amigo, Irmão e nos momentos que mais sentia dificuldade em me relacionar com o comportamento dos meus pais e irmãos lá estava ele do meu lado, apoiando, defendendo e até encobrindo minhas tolas peraltices de adolescente.

Chegava logo pela manhã em casa sacudindo todos; lindo com seu sorriso, alegria estampada sempre no rosto apesar de a vida desde muito cedo ter lhe tirado a mãe e imposto dificuldades que contornava sempre de alto astral. Era bom acordar com você, era bom mentir para minha mãe dizendo que íamos ficar lá embaixo papeando e você me ajudava a ir encontrar o namoradinho proibido rs, ouvir o barulho do seu skate para cima e para baixo na rua, me esconder no seu apartamento quando estava de saco cheio das brigas em casa, ouvir música, conversar, te ajudar com as meninas, você me defendendo quando meu irmão tratava de me dedurar, comer na padaria pãozinho de presunto mergulhado na torta de morango hahahahaha! Quanta coisa simples e simplesmente inesquecível!

Até aquele dia 04/12/83 minha mãe havia me poupado da morte, nunca tinha sentido e nem presenciado acontecimentos assim e tudo caiu feito uma pedra sobre mim, e justo com quem! Foi muito, muito ruim e sofrido, sai em busca de  explicações, por que?? Precisava entender porque você partiu tão precocemente!

No Espiritismo encontrei as explicações e o entendimento, hoje a saudade tem um sabor bom e talvez você até já esteja entre nós novamente ou quem sabe não e quando eu for dessa para melhor nos encontremos!

Mas é inevitável, todo dia 23/10 me lembro do seu aniversário e onde você estiver te desejo muita luz! Saudade boa meu irmão de alma e coração!

12 de set. de 2013

Dona Angela

Semana passada levei minha mãe ao médico, exame de rotina e tudo mais. Na volta perguntei se ela queria tomar um café, tarefa complicada pois ela é difícil de topar qualquer programa mas com um pouquinho de insistência... Topou!

No shopping fomos direto para a cafeteria, lá nos sentamos, fizemos os pedidos e enquanto aguardávamos notei uma senhora vez ou outra tendo a atenção de uma das garçonetes... Ela tinha um olhar que me era muito familiar, sempre achei que portadores de Mal de Alzheimer tem o mesmo olhar distante, incompreensível até.

Cada vez que a garçonete conversava com ela lágrimas lhe desciam do rosto, não me contive e perguntei à moça o que estava acontecendo com a senhorinha. Disse que ela estava perdida, sozinha, não se lembrava seu nome, endereço, tampouco o telefone de algum parente. Disse também que vez ou outra ela toma um café ali com a filha só que naquele dia apareceu sozinha e desnorteada, sem nenhum telefone para contato em sua bolsa e um telefone celular sem bateria.

Meu Deus como me lembrei do meu pai, no dia em que se perdeu e foi encontrado por uma alma caridosa que se deu ao trabalho de olhar na carteira dele e nos telefonar para que pudéssemos buscá-lo!

Voltando à senhorinha, fui até ela e pedi autorização para levar o celular até uma loja de telefonia e tentar um carregador para descobrir alguém que pudesse nos dar uma pista de quem ela era, onde morava, etc. Um rapaz na loja foi bastante solícito quando contei o que estava acontecendo e juntos ligamos para vários números que estavam na memória das chamadas recebidas e depois de algumas tentativas consegui falar com a irmã da Dona Angela, vejam só meu pai era conhecido como Angelo...

Ela me passou o endereço da Dona Angela e pediu para falar com ela. Corri até ela e disse que tinha localizado a irmã dela, aos prantos ela começou a me beijar as mãos, liguei para a irmã para que conversassem e em seguida fui orientada a colocá-la num táxi para que fosse para casa. No ponto de táxi do próprio shopping lá se foi a Dona Angela para casa, sua vida e seu destino.

Enquanto tudo acontecia como um turbilhão, minha mãe ficou ali sozinha sentada me esperando, me sentei e desabei... Foi muito mais forte que eu todos aqueles pensamentos, sensações, recordações dolorosas e saudade, muita saudade!

A noite quando já estava mais calma retornei a ligação para a irmã da Dona Angela e soube que ela estava bem e em segurança, segurança que muitos portadores de algum tipo de demência nem sempre tem a sorte de encontrar... Quantos deles não devem passar por nós despercebidos nas ruas, as vezes achamos que estão ali jogados por escolha e por fim deve existir alguém que tenta descobrir seu paradeiro sem sucesso. Dona Angela e o Sr. Angelo tiveram muita sorte!

Minha mãe claro teve que chegar a conclusão que seria melhor se não tivéssemos ido tomar o tal café kkkkkkkkk, coisas de Dona Antula. Mas eu sei e acredito que precisava estar ali naquele exato momento, alguém precisava de mim e me aguardava. Esse MAL é maldito, cruel e certeiro o que suas vítimas precisam é de muita atenção, carinho e cuidados redobrados para uma empreitada dura, mas mais tranquila e serena.

Depois do que passamos em nossa família sei que sou uma pessoa melhor, com feridas e lembranças que me ensinaram muito mas a cada dia uma nova lição nos põe à prova e assim traçamos nosso destino!


18 de jul. de 2013

Vou usar este texto que li uma vez em algum canto e que me trouxe doces lembranças do meu pai, de tudo que ele me ensinou e deixou. Não sei de quem é o texto mas diz tudo!

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: -"pai, começa o começo!"
O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim.
Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito. Meu pai faleceu a muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança.
Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado, pelo menos para "começar o começo"de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.
Hoje, minhas "tangerinas"são outras. Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria da imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes; ou então o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e até mesmo as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.
Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformaram-se em enormes abacaxis... Lembro-me então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até o último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu que nunca morre e sempre está ao meu lado.
Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu é eterno e que seu amor é a garantia das nossas vitórias. Quando a vida parecer muita grossa e difícil como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir à Deus: "Pai, começa o começo!". Ele não só "começará o começo" mas resolverá toda a situação para você. Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente, sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: "Pai, começa o começo!".

Texto de Elma Eneida Bassan Mendes